domingo, 16 de julho de 2017

Adeus, meu Zé Maria! Adeus, meu amor!

Até que nos encontremos por aí...


Sabia que tinha fotos nossas. Nos meu discos rígidos, só teria de as procurar. Estas foram tiradas no dia tão feliz de 27 de Junho de 2004 (há 13 anos atrás, com eu, bem cheínho; tu, igual, como eu sempre te conheci) quando a nossa Junta inaugurou a bandeira e o símbolo. Tenho certamente muitas centenas delas contigo, onde tu estás. Mas agora... está tudo ainda muito a fresco, e não as consigp procurar. O tempo... só o tempo...


Este texto… é daqueles que tinha mesmo de escrever. Tem andado a viver comigo, há mais de 15 dias, de férias, no mar, a correr, assim que acordo. Tem andado a ser desenhado na minha cabeça. Como se tivesse nela, uma folha em branco, que começava a ser rabiscada, onde iam sendo colocadas notas, de por onde deveria seguir.

E perguntam-me, muitas vezes, muitas pessoas diferentes: (e eu vou classificando as opiniões, de acordo com o crédito que elas me merecem, umas muito, outras menos) mas porquê é que escreveste aquilo? Tinhas mesmo de o fazer? Mas quem é que te paga para dizeres sempre as verdades? Teria vindo mal algum ao mundo, se não tivesses escrito aquilo? Porquê?!?!?

E eu penso, ou respondo, mesmo: Eu sei lá! Aquilo tinha de sair de mim. Quando eu escrevo, faço a minha justiça. Resolvo-me. Oiço-me. Poupo dinheiro em psiquiatras.

E depois… é apenas um blogue. O Sousa Tavares, que adoro e muito considero, abomina os blogs e os bloggers. Diz que é um mundo de calúnias, de invejas, de gente mal formada, indecente e covarde. Eu concordo quase sempre com aquilo que ele defende, mas neste caso, quero que ele tenha mas é, um filho pela barriga das pernas. Eu sou livre e… é apenas um blogue. Por Deus! É apenas um blogue. Por exemplo, em relação ao meu último texto que aqui publiquei, tive as mais diversas reações, de gente que muito considero, e senti-me… bem. Sinto que é feita justiça à arte, que fui para Lisboa aprender a aperfeiçoar, durante 4 anos seguidos. E ademais, se o visado tivesse um blogue e tivesse tido o arrojo de escrever um texto sobre mim, assim, às claras, sem nada nas mangas… provavelmente nem o ia lá ler. Eu quero lá saber disso! Daquilo que ele pensa sobre mim!  Apenas estimo e considero, ouço, e prezo, quem quero. A minha liberdade dá para isso. Quanto mais não seja.

Hoje traz-me aqui a perda de um amigo. Que dói. Porque inesperada. Porque fortuita. Porque nos prova, mais uma vez, de forma dura, quão efémero é tudo isto. A vida… é um período de férias que a morte nos dá. Cada vez mais me convenço disso. Passamos tão pouco tempo cá, aqui, por muito que cá passemos, que não vale a pena, a maior parte das coisas que deixamos que nos aconteçam. Animosidades, invejas, discussões, pretensões, usura, vaidade… nada disso. Vimos nús, sem nada; e assim nos marchamos. Seja o Américo Amorim, que tinha conseguido amealhar na vida, os 4 mil milhões, que fazem falta ao país para sair do buraco; ou o mais pelintra dos pelintras… sai tudo pelo buraco dos fundos.

Sempre que pensava neste texto, e na homenagem que quero fazer a este homem, a este querido Amigo, pensava nesta música:

Para ir ouvindo, enquanto se lê...

Porque é assim que me sinto, cá dentro. Algo me morre na alma, quando um amigo parte para sempre.

Vou ficando velho, sabem? Isto pode soar ridículo, a quem apenas tem 44 anos, mas… já são 44!
São 4 décadas, mais 4 anos. Não sou propriamente um puto. E de cada vez que desaparece um dos pilares que me habituei a ver desde sempre, vai-me dando a sensação que o meu tempo se está a desintegrar. Não sei se me consigo explicar mas, a ideia é de que, quando se nasce para o mundo, há uma série de referências, na família, na terra, no país, no mundo, na música, nos filmes, no showbizz em geral, e… há medida que eles se vão esfumando, outras vão surgindo, mas… o nosso tempo já não é delas. É dos putos.

Por mais que se ame um neto, ou uma neta; este amor temporal nunca será o mesmo para um pai, ou um filho. Acho que é isto que quero dizer. Há cadência, mas a intensidade… nunca será a mesma, para um e para outro.

Recebi a notícia da forma mais abrupta. Ia dançar à vila de Castelo de Vide, com a marcha dos Outeiros, a convite do Sr. Presidente António Pita, e descemos junto o Cine Teatro, onde nos íamos vestir. Dispararam-me um “sabes quem é que morreu?”, o que me deixa sempre em suspenso, a ler a expressão de dor, espanto e mágoa, de quem ma dá.

Em suspenso.

- “O Zé Maria!”

Mas qual? Fui pensando. Conheço tantos…

- Estava lá a carrinha da VMER na Beirã, à porta dele, e já não havia nada a fazer…

Zé Maria… Beirã… foi o da Graça!  
- Como?!?!?!?!?!?
- Foi uma coisa que lhe deu. Não sei se coração, cabeça… estava na horta e… caiu redondo.

- Caraças! Precisei de respirar e desviei-me.

Porra… Nem velho, nem doente, nem… nada!
O Zé… Sessentas largos, setentas?

Conhecia o Zé desde sempre. Era guarda fiscal na minha terra, na Beirã. Tinha 3 filhas, todas mais velhas que eu, minhas amigas, e uma esposa que é um amor. Daquelas mulheres autênticas, verdadeiras, trabalhadoras, da terra. Aliás, todas elas são!

O Zé Maria tinha idade para ser mais que meu pai, e tinha sido bem amigo dele. Quase que dava para ter sido meu avô. Mas gostava tanto de mim… e eu dele!

A tratar de mim... A pentar-me e a arranjar-me os óculos nesse dia de festa.




Quando nos encontrávamos…

- Ehhhhhhh… o meu Zé Maria! Anda cá meu amor. Quando vejo o Zé Maria, é como ça visse o Deus do céu!
(ele agarrava-se a mim, deixava-se rir, e dizia: ai este cabrão deste gaiato…)
Davamos sempre um beijinho. Era como a gente se cumprimentava.

Quando eu era miúdo, ele era o Sr. Graça, como havia o Sr. Gonçalves, o Sr. Felino, o Sr. Leandro, o Sr. Curinha, o Sr. Sabino, o Sr. Cardoso… E eu era o amigo dos filhos e filhas. Eram senhores. Senhores, e nós, só os tratávamos assim.

Depois andei a estudar por Lisboa. Quando regressei, ao fim de 4 anos, entrei para as finanças, em 2000, para Nisa. Aí foi quando passámos a privar mais os dois, como companheiros. Eu usava muito a estrada da Póvoa, sobretudo à sexta-feira, quando entrávamos no fim-de-semana, e encontrava-o no Nicau, onde parava quase sempre para dar as boas vindas ao período de descanso. Ali molhava o bico, ali tirava um petisco, ali dava dois dedos de conversa a quem estava por lá. E aí entranhei o Zé Maria.

O Zé Maria era um homem genuinamente bom. Era bom. Naturalmente bom. Nunca o vi zangado com ninguém. Estava-se bem ao pé dele. Por isso é que eu nunca o largava. Na Casa Nicau, fomos seguramente, dos melhores clientes de camarão frito da Dona Teresa, aos sábados à tarde. Eu e o Zé, sempre tivemos esta capacidade de atrair amigos e assim, conseguimos ir juntando um grupo, onde contavam os indefetíveis Manuel Coelho e Careca, por exemplo, e outros que por lá iam passando.

Com o Xico da Blusa... entre os amigos, num dia de festa, como gostava de estar

Quando me via:

- Pedro, como é? Hoje há meio quilinho delas? (gambas fritas)
- Ó meu Zé Maria, é claro que sim!


E foram muitos, muitos, muitos meios quilinhos delas, sempre muito bem regados, com umas fresquinhas à maneira, que a gente até vinha de lá regalado.

O Zé era um esmerado cozinheiro, e adorava fazer petiscos na garagem, onde tive o prazer de comer alguns. Aperfeiçoou a arte nos tempos do posto da Guarda Fiscal, quando lá se cozinhava, e, segundo dizem as más-línguas, se consumia algum vinho, ao ponto de terem existido queixas de casas comerciais da terra, desta concorrência… desleal?  

O Zé era muito novo. Não era velho, nem nada que se pareça, não sofria de males, e parecia que ainda teria muito para viver. Quem diria...
Sofreu muito com a doença do irmão, de Marvão, que teria abatido muito e perdido muitos quilos. Foi-se a ver… foi ele, mais novo.
Isto a vida…

Se havia coisa que o Zé adorava, para além de gostar dos amigos, de um petisco e de um copinho com eles, era da família. O Zé adorava as filhas, a mulher, os genros, e do neto Ricardo. Não sei se tinha mais netos mas deste, como estava tão próximo e foi o primeiro... Falava deles com um gosto, uma veneração, que dava prazer. Percebia-se que eram a melhor coisa no mundo, para ele.

Não resisto a contar-vos uma história, que conta muito sobre mim e, sobre o Zé. Quando eu trabalhava em Nisa, andei a juntar dinheiro para comprar uma televisão. Mas não era uma televisão qualquer, atenção! Era para comprar uma televisãzorra! Que eu já era casado desde 97, já vivia numa casinha própria com a minha Cris, na Rua do Espírito Sano, nº 8; já ganhava o meu dinheirinho, e já merecia uma televisão, que não fosse aquela caguincha pequenina que lá tinha. Fui-me direitinho ao Electro Narciso e comprei um aparelho Sanyo, que me custou 230 contos! Caraças! Era um maquinão! 80 centímetros de ecrã plano, P.I.P. (picture in picture, que dava para ver 2 ecrãs diferentes ao mesmo tempo), P.O.P. (picture outside picture), capaz de durar o resto da vida. Ou quase… que a gaja só berrou há 2 anos atrás quando comprei esta que tenho agora.

Convidei o meu amigo Zé Maria para ir lá a casa, para ver o que eu tinha comprado. Sentámo-nos os dois no sofá a ver e… não foi notícias, não foi tourada , e muito menos futebol. Foi… filmes de homens, que me tinham emprestado! Ou melhor, para homens verem, se é que me faço entender. Ou seja, com gaijas… pouco vestidas. Aquilo são películas sem história, sem enredo, com muita ação, que quanto mais tiver, melhor! Meti aquilo a bombar, com a música ambiente bem altinha, postigos fechados, e eu a ver o Zé Maria regalado. Nem dizia nada…
Até que lhe perguntei: atão Zé, o que achas da televisão? Tem uma boa imagem?

- Porra, se tem! Os cabelos (de baixo) das gajas parecem troncos!
EHEHEHEHEHEHEHEHEHEH… tanto que a gente se riu… Parece que o estou a ver…

O meu Zé Maria… Tenho tanta pena que ele tenha abalado, e já nunca mais no possamos ver, nem malhar meio quilinho delas, como agora, na festa da Beirã, que é hoje o dia!

Estive no teu funeral, assisti à missa na casa mortuária. Senti, com pesar, o teu fim. Lamentei o som das tantas conversas lá fora. Não quiseram deixar de estar. Compreendo. Mas foram falando de outras coisas, triviais, da vida, do quotidiano. Lamento tanto que seja assim. Mas o meu, não será diferente. Eu estou de luto, cá dentro, por ti, amigo. Não sou da tua família, mas de cada vez que vir os teus, ou te vir a ti (nas tuas coisas), ou falar de ti, lamentarei a falta, com muita saudade.


Foste na frente, companheiro. As leis da vida assim o ditaram. Até que nos vejamos por aí, outra vez. Que a tua alma fique em paz…


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Assim, de repente... Luís a Presidente!


- Pai! Ajuda-me lá a abrir a caixa do correio!

- Ó Alice… até parece impossível, filha! Tu és tão desenrascada, e queres sempre ser tu a fazer tudo… Como é que não consegues, e me pedes uma coisa dessas?

(Já chateada) – Ó PAI!!! ESTA NÃO DÁ! Com a velhinha eu conseguia, mas esta… rodo, rodo e aquilo não dá nada!

- Ó Alice… é com jeitinho. Anda cá que eu ensino-te. Mas tu é que fazes. Para veres como é fácil… Vês?!?

- Olha tanta carta, pai! Da Meo, uma revista para ti dos impostos, publicidade das compras e este… OLHA! Este é o pai do Artur! O que é que ele quer?

- Quer ser presidente da nossa Câmara. O homem que manda mais, aqui no nosso concelho. É isso que ele quer.

Fiquei durante momentos a fitar a imagem do panfleto. Não em choque, que esse já o tinha tido, na tarde do dia antes, quando a Velhaca, Dona Estrela do Adro, me tinha atirado aquilo para as mãos, com um “olha, o teu amigo, lá da tua terra, deixou aqui isto para ti”.

Olhei e pensei: afinal é verdade. Sempre é ele que vai em primeiro.
A minha cabeça recuou de imediato à minha Beirã natal, àquela que hà-de sempre ser a minha terra, e a minha referência.
Quem andou comigo naquela escola primária, quem foi meu colega, certamente nunca pensou que isto seria possível. E só é possível porque a política é mesmo uma atividade muito ardilosa, onde a meritocracia (sistema no qual só aprovam os melhores, a nata da nata) não funciona.

É importante que escreva e fique bem claro desde já, que escrevo este texto porque… o tenho mesmo de escrever. Como o faço na minha capelinha virtual, e divulgarei na rede de todos nós, como é hábito, é natural que caia sobre mim, o coro dos mal formados, arrogantes, pessimistas, que se pensam juízes de tudo, e de todos, e que acham que estão credenciados para opinar, sobre quem nunca lhes deitou palha. Mas eu sei que esse é o preço a pagar, por sermos públicos, como eu sou; por comunicarmos de peito feito e aberto, como eu faço.

É bom que se diga que não tenho absolutamente nada contra o Luís. Somos amigos, q. b., e temos uma relação cordata, de pessoas da mesma terra, que nunca se deram mal. E era difícil dar-se mal com o Luís. Porque o Luís… passava. Como passou.

A minha escola, aquele reduto ínfimo, aquele casulo de personalidades, teve cromos do arco da velha. Já naquela altura, com quase todos entre os 6 e os 12. Havia malta com muitíssimo nível, que ainda hoje dá cartas na vida. Uns estão melhor, outros mais perto, uns foram enrolados pela vida e deixaram-se ir; outros definiram muito bem, por onde queriam ir, e singraram; outros foram atrás de um sonho, mas triunfaram só em metade (licenciatura sim, emprego na área, não), tiveram de regressar e voltar a dar as cartas, como eu, mas, de outra forma, conseguiram a felicidade que queriam.

E havia o Luís. Que seria a última aposta para presidente de câmara. Ele sabe-o.

Por exemplo, a coisa mais fácil para mim, seria ser o filho do João Sobreiro.
Cômodo.
Quem é aquele?
É o filho do Sobreiro.
Quem? O filho da Alzira.
Mas nunca fui. Fui sempre eu. O Pedro. O Pedrocas.

O Luís… há-de ser sempre, para nós todos, de lá, o filho da Dona Estrelinha do Supermercado/Café, ou do Sr. António, do carro de praça.

Falem com a malta da minha idade, da Beirã, e verão o que eles dizem.

Entrou para a Câmara com um cargo relacionado com a sua formação superior, e foi ficando. Como Yes man do Sr. Presidente, ocupou o meu lugar de vice quando saí, e agora, prepara-se para ascender a 1º. Ele sabe-o, que este 1º, é um presente envenenado. Sabe que ficará na frente da fotografia, mas que por trás dele, estará o que mexe os cordelinhos, para ele se mexer. E detrás desse, estará aquela que sim tudo domina. É o preço a pagar e desconfio que ele leva isso na boinha. Trabalhar nas obras, de sol a sol, deve ser bem pior.

Olho para a fotografia, e não consigo evitar que um sorriso me tome conta da cara. Não sei se triste, não sei se irónico, não sei se de pesar, não sei. Mas uma legenda fica sempre por debaixo da nuca: “agora já acredito em tudo!”

Não consigo evitar deixar de pensar no Brasil, no candidato Tiririca (pior do que está não fica!), e no macaco Tião (o candidato do povão). Não sei porquê, mas é.



Diz a nossa lei que um presidente não pode ficar mais de 3 mandatos. E ainda bem, digo eu. Porque se assim não fosse, a forma como o senhor Frutuoso tem conseguido surfar as opções de voto, neste meu concelho, fariam do homem um Fidel Castro, que só sairia quando fosse desta para melhor. Mas a sua forma de contornar a legislação é, para além de bastante óbvia, assaz primária: mete o segundo… para ser ele a mandar. Não é preciso ir tirar um curso a londres, ou Nova Iorque. Tá na cara.

A operação tem, para si, um risco mínimo; e sob a sua forma de pensar, sempre ganhadora e invencível, estará garantida. O Luís jamais será capaz de protagonizar um episódio de rutura com quem lá o meteu (na posição a seu lado) de mão beijada, como fez o Nuno Mocinha, com o Rondão de Almeida, em Elvas.
Dizendo ao seu eleitorado, que no fundo, é nele que votam… veremos no que vai dar.

As coisas vão estar muito divididas e, até para mim, que tenho a mania que percebo um bocadinho disto, estou às escuras. Será que o vereador que sempre se encostou, mas agora quis dar o seu grito do Ipiranga, falhado, terá força para conseguir reunir á sua volta, um apoio que lhe dê garantias para o futuro? Tem jogado ao seu nível, e falado numa candidatura independente, que não o é. Para ser sincero… nem sei muito bem sobre isso, porque não me interessa. Há coisas que…

Será que o PS resgatado do passado, encabeçado por uma vereadora de há 12 anos atrás, consegue apagar o erro de casting das últimas eleições (um flop tremendo nas urnas)? Será que os marvanenses aceitam e compreendem a sua ausência durante estes anos todos, e o ressurgimento apenas agora nesta altura?

Será que o movimento independente de cidadãos “Marvão para Todos”, no qual tenho a honra de pertencer (embora escreva sempre em nome próprio, por mim, e não por nós todos. É importante saber separar as águas), conseguirá ser a novidade e afirmar-se, não pelos meios, mas pelas pessoas, sempre as pessoas que o compõe?

Olho para esta imagem, sentado, e gosto de ficar a olhar para ela. Palavra! Penso sempre:
- Caraças… como isto da vida é. Que cena… Quem é que diria? Quem diria…
Vejo o tratamento de imagem em Photoshop, um primor, um arranjo, uma clareza que… quem conhece o real, sabe bem que é trabalhado.

Dei por mim diversas vezes a perguntar ao panfleto, onde não se está a rir, não está sério, está. Apenas está. Penso como se lhe estivesse a perguntar a ele:
- E esta Luís?!? Por esta não estavas tu à espera, ãh?

A fotografia ganha realidade e ele, dá uma gargalhada daquelas das dele, em que se ri tanto que mal consegue falar.
Escreveram-lhe um texto do panfleto assaz notável. Disseram muito sobre… nada.


- “conhecem-me pelo meu nome próprio”, é muito bom. A sério?

- Chama “os novos empresários” e bem. Ele também é um deles.

- “fundamental garantir condições para concretizar as iniciativas dos nosso jovens, para que continuem a trabalhar e a viver na sua terra”, é uma frase linda extraída de quase todos os manifestos do género. Sério? E como? Isso é que era lindo de se saber.

- “A economia social é, e continuará a ser, uma das alavancas do nosso desenvolvimento. Vamos reforçar o apoio social da autarquia, em conjunto com as instituições sociais, aumentando os apoios aos mais idosos e a quem mais necessita”. Tão óbvio, lindo e elementar, que é de ir às lágrimas.

- Depois... uma chamada de atenção ao turismo, à candidatura das fortalezas abaluartadas da raia, e ao património mundial. Fica sempre bem e… não se pode apontar que não foi dito.

- Continuidade do trabalho… certo!, inovar em caminhos que garantam o futuro… com certeza! Cultura, património e natureza… é que não podiam faltar!

- Gestão financeira rigorosa, à lupa!, e clareza dos processos… ehhhh… isso aí… E porque é que a Judite não se tira de cá? Bom… avancemos.

- Ouvir mais perto os marvanenses, tralari, tralaró e… tá feita: Luís a presidente!

Caraças! Se na Beirã inteira se tivesse perguntado, ao homem mais esperto e vivido (que talvez era o Senhor Cardoso, com aquela casa cheia de livros, onde nos ensinava a fumar e dizer asneiras), quem é que ele achava que viria a ser o miúdo da Beirã, que se viria a candidatar a presidente da Câmara de Marvão… ele nunca poderia dizer o Luís. Porque não o conhecia, e tampouco o convidava a entrar no seu espaço.

Eu fui, durante toda a minha infância, à missa. Pela mão da mãe, acompanhado das tias, ali me fui fazendo homem, a ouvir aqueles ensinamentos, sábios, mesmo que pensasse que aquilo não me dizia nada.
Nunca lá vi o Luís. Nunca ia.

Eu fui escuteiro do Agrupamento 659, que foi fundado com um pedido que fiz aos meus pais, quando assisti a uma missa do gênero, em Armação de Pêra. Os chefes eram: o meu pai, a minha mãe, a minha tia Cali, a minha madrinha Fatinha, e o chefe António, que era quem sabia mais daquilo (já tinha sido escuta nas minas da Panasqueira). Todos os miúdos da Beirã foram escuteiros. O Luís não foi. E também nunca o vi na missa. Agora vai sempre. Isso é das regras emblemáticas da cartilha do maior: vai sempre à missa, menino. As pessoas gostam muito. E do beijinho? Missa e beijinho… isso é que é!

Agora está nos bombeiros, mete-se em tudo… para onde é mandado. Em toda a vida antes disto da câmara, nunca se lhe foi conhecida uma única influência na vida comunitária. Trabalhava com os pais, no café, ou na vida agrícola destes, casa e ponto. Nem convívio, nem… nada! Agora… isto!

Pois eu tinha de escrever sobre este assunto. Já fiz o dever cívico. Sem rancores, sem pudores, limites ou outras merdas. Eu sou um cidadão consciente, de um estado de direito, com a minha folha criminal limpa, que paga os seus impostos, e se orgulha da liberdade que foi ganha com a opressão e a morte de muitos. Por eles, pela sua alma vai este meu texto.

Eu sou feliz a ser assim. Eu devo-me isso, a mim e a quem me gosta de ler. Basta que seja um, que já valeu a pena. Não fica só na minha cabeça. Sai. E fica cá fora. Mas eu tenho a alegria de saber que é muito mais que só um. Os contadores virtuais da página dão-me alento, e instigam-me.

Eu gostava muito era de entrevistar o Luís. Se ainda tivesse “O Altaneiro”, daria umas belas centrais. Mas tinha de ter cuidado com as fugas de informação para o vice, e a editora, que era a diretora da Anta, que o pagava.

Não tendo isso… irei muito de gostar de ouvir nos debates.

Espero muito sinceramente que o Luís não fique magoado ou zangado comigo. Porque afinal, como sempre, tudo o que eu digo são verdades. Que podem ser discutidas, debatidas, o que forem… Mas não podem ser negadas.

Desta vez, das autárquicas 2017, tem acontecido desde que tenho escrito sobre política, que alguma cabeças cá do burgo, algumas das quais até se tinham feito passar por minhas amigas (diz-me a minha Cristina que: quando estavas no hospital, ligavam para cá muitas vezes para saberem das tua situação), me passaram a ignorar. Ora isto dá-me uma graça interior tremenda. Se fossem amigas, e eu tivesse fito algo errado, esperava que viessem ter comigo, e me pedissem um esclarecimento, que poderia despistar más influências externas, e clarificar as coisas. Se houvesse um erro, teria de me desculpar, porque errar… humano est. Mas nem isso! Pura e simplesmente, passaram a passar ao lado.


Pois eu digo a esses cocós, que do menino Drocas, nem que se pintem de amarelo. Já lhes vi o cú. E quando vejo o rabo a uma pessoa… ui, ui. Já é muita difícil dar a volta. Eu amo todos os meus amigos como irmãos, que só não são de sangue, mas de resto têm tudo. O Sabi tem muitos amigos, graças a Deus e a ele. Os amigos sabem que têm tudo de mim. Tudo o que eu possa dar, é vosso. Agora esses impostores e essas impostoras, saberão que Pedro vem de tão duro como a rocha, como do cruel, que arrancou o coração a Inês.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Carrega no fisco! (que eles aguentam... que remédio!)


Um simpático que sigo, que já foi laureado como blogue do ano, esticou-se e, como é óbvio, mereceu o comentário.




É bem certo que pode não fazer de nada, mas serviu de descargo de consciência.


Fácil bater numa classe, meu caro. Sobretudo quando são vistos todos como quadradões, os maus da fita. Mas, se houve uma coisa, das muitas que aprendi, quando tirei o curso de Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa; reforçado pela Pós Graduação em Gestão Autárquica, pelo Instituto de Línguas de Santarém; foi que nunca se deve julgar o todo pela parte, porque se pode cair no ridículo, e ser vexado na Praça pública. De resto... Tudo bem e fica bem.

Ele... já passou dos 2.000 likes...

Recordando o show da Sinhá Marreca e seus mininus...



É SÒ CLICÁ... ABAIXU...

Quando o inferno nos assola, assombra e devasta


O fogo, é uma boca do inferno, voraz, infinita, medonha. Este incêndio que lavrou no coração de Portugal, que arrastou consigo vidas, tantas vidas, projetos, e sonhos, teve também um impacto fundo em mim. Não resisto à moda das redes sociais, e também eu não consigo não lamentar em público, o tanto que sofro pelo seu pesar.



Este homem da imagem, da minha idade, relatou às câmaras, com uma perturbante e inquietante calma, a perda da mulher, da sua companheira de vida, e das suas duas filhas, das suas extensões de si. Fiquei completamente de rastos. Não consigo imaginar dor maior. Tudo porque seguiu num outro carro...

Rezo por eles todos. Pelos que ficam, pelos que já regressaram à fonte...

Enquanto,

— a época de incêndios não se adapte aos calores extremos já vividos em Junho (há—de iniciar, mais tarde...);


— os sistemas anti incêndios, de muitos milhões de euros, continuem a não darem cabal resposta de defesa, imediata e instantânea, à 1° hora;

— os interesses económicos continuarem a orientar a reflorestação, e a gestão das áreas verdes (eucalipto e pinheiro a mais).

Aquela que ficou conhecida como estrada da morte, tinha todos os ingredientes para se transformar num cenário dantesco... Árvores gigantescas, sem corta—fogos entre elas; coladas à estrada...


— os bravos bombeiros, não sejam uma força remunerada, bem apetrechada, com todas as condições e regalias de vida que premeiem o seu risco permanente; (e atenção que com isto, não aponto nada de nada, ao seu notável comportamento. Apenas defendo que merecem tudo)


Vamos continuar a viver este clima terrível de guerra civil.



O que eu lamento... ver a forma de vidas como a minha, cheias de brilho de família, e sonhos no olhar, que sucumbiram perante a tragédia. Se não há tal coisa como mortes boas (nem quando é um alívio, isso acontece), esta é terrivelmente perturbante, só de a imaginar. Ser consumido pelas chamas, queimado vivo, num oceano de labaredas.

Tantos projetos, tantos planos, tantas visões e hipóteses... abruptamente estancados.

O ver—me ali, a mim, e às minhas, faz—me estremecer.

Como é fortuita esta ilusão da vida, destas férias que a morte nos dá. Como é rápida a passagem para a outra dimensão... nada mais sendo preciso que o acaso.

Como lamento já não ser capaz de chorar, de me conseguir emocionar às lágrimas, e assim poder restabelecer—me cá dentro.

Mas por eles, por todos eles, o meu coração chora e rezo, em silêncio, concentrado, pedindo paz entre o esplendor da luz perpétua, para os que já partiram, e coragem para os que ficaram.

O meu pensamento e sentimentos vão por vós...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

44 x 365 dias de percurso nesta caminhada da vida (o post)



A caminho do Algarve, Armação de Pêra, em 1976, com 3 anos, apenas. Naquela que é, para mim, a foto favorita. Os longos cabelos encaracolados, as calças a meterem nojo de tanta rampolia e brincadeira, as mãos nos bolsos, o cinto, a cara suja de chocolate, o Ford Cortina do meu tio Lazarinho, que nos levava à praia, enquanto as malas seguiam por comboio.

Faz hoje que, 44 anos são passados desde aquele 8 de Junho de 1973. Tanto tempo... Tanto tempo que eu temi tantas vezes, que não chegasse a ser tanto. Sem infantário por aqui, com os pais a terem de trabalhar para ganharem o sustento, fui criado por 3 mulheres do lado paterno: a avô que sempre conheci viúva, a tia que enviuvou quando eu tinha 7, e a tia que nunca casou. O luto nunca resolvido, de um tio que morreu subitamente com 14 anos, enquanto corria numa escadaria da Beirã, ensombrou—me a existência. Sempre à espera do congênito (a minha outra tia, sua irmã, foi das primeiras operadas a coração aberto, em Portugal) ou duma falha momentânea, fui vivendo. Procurando fazer com que a alegria de viver, suplantasse os tantos temores, deste hipocondríaco temerário.

Recordo—me perfeitamente de, numa rua da minha aldeia, ter pensado que fazia 8. E já eram muitos.

A vida tem sido uma viagem fantástica e maravilhosa. Agradeço a Deus, que só conheci com convição, há bem pouco, o tanto que já me deu. Agradeço a mulher que me colocou como companheira (Fernanda Sobreiro); as filhas lindas, educadas, carinhosas, inteligentes (Leonor e Alice); agradeço à minha mãe Alzira e ao meu irmão Miguel, por me terem dado o ninho que me fez gente; agradeço à minha nova família que ganhei pela via do casamento (João Manuel Lança, Jacinta, Paula, Fernando, Maria Dias), agradeço a todos os meus familiares, amigos e amigas que são tantos, e eu lamento tê—los tão longe, e não poder desfrutar deles todos os dias. Um bem haja generalizado, a todos os meus amigos/amigas que me parabenizem neste dia por aqui, telemóvel, mail, ou pessoalmente.

Eu, Pedro, serei sempre o mesmo, e não sei se será defeito ou doença, mas vejo—me sempre assim ao espelho, como nesta foto, só que agora estou maior. E tenho barba. Não me vejo como homem grande, que trabalha num serviço sisudo, só para os mais velhos. É por isso que tenho lá atrás do balcão, escondido, um frasco de caramelos de fruta, para lhes dar, quando eles lá vão e se portam bem. Até lhes brilham os olhos. E a mim...

Mas acho que vai ser sempre assim. Até que Deus queira.

Nunca quero, nem nunca quis, prejudicar ninguém. Tenho a consciência incólume. Só me mexo, quando a felicidade dos outros se interpõe no caminho da minha. Só quando os outros querem o mesmo que eu, tenho de interceder. E ainda assim, aqui, há valores e princípios, que falam mais alto.

Desejo a todos os meus contemporâneos, felicidades e saúde. Considero—os a todos meus irmãos, ainda que nalguns casos, seja mesmo muito difícil aferir esta familiaridade.

Vivam... e deixem viver.


Paz.

Durante o dia...

Bom dia alegrias! (como dizem os manos Miguel Miranda, Isabel Miranda)


Embora eu não tenha sempre disposição para tal (as minhas ladies dizem que eu sou o Estrumpfe Rezingão... estafermas!), hoje é mesmo esse dia!



Agradeço aos muitos amigos e amigas, que já me estão a fazer este dia tão especial.


Todos nós queremos é ser amados. Certo? Ora o Facebook, é uma ferramenta incontornável das relações humanas dos nossos dias. E é tão bom ter—vos perto. 


Comecei o dia da melhor maneira: a ser amado e... a correr. :D Tudo bom!






Depois vieram os amigos, a família, a confraternização e.... as prendas. Todas muito importantes e significativas para mim, embora não fossem necessárias. Só o fato de poder estar a desfrutar da presença deles e delas, fazia tudo valer a pena. Tantos que não estão, tantos que já faltarão para sempre... até que eu dure. Apenas esperam por nós.

Das prendas recebidas, tenho de destacar duas. Da Leonor... à qual respondi, em sede própria:

A alegria... de ter feito um bom trabalho contigo. Acho que muito bom, mesmo.

Tenho muito orgulho em ti, filha.

A pena é a de me ter feito homem, numa noite, de repente, sem querer, há já 6 anos atrás, quando tinha 38. Desde então, já não consigo chorar. Dizem que os homens não choram. Deve ser por aí.

Fazia-me bem chorar, ao recordar tantos momentos lindos que passámos juntos. Lembro-me tão bem de ti assim... sempre, que parece que foi ontem.

A cena que nós temos é especial, boneca. Quando te digo que os livros que andas a ler, fui eu que os escrevi? Tu és eu, em mulher. Apanho-tos no ar.

Amo-te muito. Para sempre.

Dava tudo por ti, para a tua felicidade, sem pestanejar.

Quando te ralho, é porque não estás no ponto certo e tenho de me confessar perfecionista. Não que queira a perfeição, que é inatingível, mas quero-te o melhor possível. Quero sempre é melhorar-te. Eu fui educado assim.

Tu dás-me descanso. Obrigado. Olho para ti, bonita, inteligente, justa, com sentido crítico, humana, expressiva, simpática, amiga de todos, popular... e penso que só por ti, valeu a pena cá ter vindo.

Um beijo do tamanho do infinito, do teu Pai


E da Alice,

Se a prenda da Leonor foi um vídeo, que ela fez, enternecedor ao ponto de me deixar sem palavras (com a banda sonora de uma das minhas bandas de eleição), a prenda da Alice foi também muito especial...

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Andou durante muitas horas, e dias antes, a preparar—me uma caça ao tesouro, que só ela compreendia, e saberia decifrar.

Pedaços de papel com inscrições suas, enfiadas nas gavetas e nos sofás, a dar indicações para encontrar a seguinte...

— Mas quando é que eu posso descobrir isso, filha! Estou em pulgas, que diacho! (Logo de manhã, ao acordar)

— Logo...

Mais tarde, quando vieram os convidados...

— E então?

—Mais tarde... tens de saber esperar...

Até que se fez a festa, o bolo, os anos, e quando tudo abalou...

— E a minha caça?

Era esta das imagens.

Tinha de subir muitas escadas.

Os Sobreiros vistos pela Alice. 
Os pequenos, da esquerda, muito maiores que os grandes. 
Enfim, como eu quero.
Um perú, e uma... coisa rara, inacabada. Ambos a piscarem o olho. Imagino eu, que para me parabenizarem. Influências de Paula Rêgo?

 Qual é coisa qual é ela, onde à (sem h... à atenção da Sr. Professora Vina ;) ) muitos brinquedos?

1 peixe e uma vaca

Papi Pedrito (adoro!): o livro.

Tudo a rodopiar em cornucópia, até chegar ao cerne, ao busílis da questão. Aquilo que ela sabe que eu gosto mais: AMOR – CARINHO


Adorote pequena.